WAL

Wednesday, September 25, 2013

Remember

REMEMBER
Se em versos pudesse a gente
Dizer tudo quanto pensa
Eu nesses versos diria
De uma passada alegria
De um sonho que me foi glória
Contaria a breve história
História simples e suave
Como o aconchego de uma ave
diria do afeto louco
que durou, meu Deus, tão pouco;
afeto cujo perfume
em meu sentir se resume
a resumir minha vida
mau grado meu - esquecida!
sonho que vejo acabado
 sem ter talvez começado...

Mas nem sempre a pena ingrata
O fremir d'alma retrata
E o que se diz, infelizmente
É sombra do que se sente.

Leonor Posada

Wednesday, March 02, 2005

Desenrolar dos fios

Poemas Antigos e Modernos I

Em 1988, num encontro terapêutico, foi sugerido como ajuda na terapia que escrever seria uma das possíveis técnicas de auto-ajuda... e, para surpresa minha, eu escrevi.

I
ATENÇÃO

Se por esta porta
Entrar o amor, ou melhor,
Se esta aragem trouxer amor...
Que seja relâmpago
na Luz,
Que seja trovão
na emoção,
Que seja perfume
no agrado,
Que seja sono
na paz,
Que seja pureza
no toque,
Que seja energia
no beijo,
Que seja fervura
no abraço,
Que seja frescor
no arrepio,
Que seja rodopio
No brincar,
Que seja um baile
no leito,
Que seja cacau
no sabor,
E que seja êxtase no gozo.


Este foi o primeiro de muitos... são tantos que eu perdi a conta. De repente ficou fácil criar frases, frases essas que eu via sem sentido, mas que de alguma forma me ajudavam a refletir.


II

Origem

O que me fez ser assim?
O que eu fiz para ser como sou?
Como me encontrei e me acho agora?
Foi o vento que me trouxe ou a luz da lua que me descobriu?

Cresci sob o calor, sem frio nem fome.
Estourei a semente,
Fiz vibrar o caminho com o som do meu grito.

Houve gemidos, mas tão suaves
Que só mesmo os ouvidos
Surdos e esquecidos ousaram saber a origem dos ais.
O resto? O mundo? As pessoas?
Não se humilharam nem apuraram os tímpanos para os sons.

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Diferentes do metal
Ouro, prata e coisa e tal.
Metal valioso, cobiçado, metal dourado, prateado.
Vil metal, origem do mal.


III

Nova

Não quero saber e
Nem sei ouvir
Se suas palavras e opiniões
Chegaram com ânsia de ser novidade.

Eu já ouvi antes o que você diz
Nas pedras, nas nuvens, nas entrelinhas,
No glacê do bolo que está sobre a mesa,
No rádio, na novela, a história é igual.
Descompromissada,
Sem caroço ou casca,
Desvalorizada,
Sem nem, nem talvez.

Segura, mulher
Seu canto de amor.
O tempo que foi, não é ido então.
Renova, explode e canta comigo
tua emoção.


IV
Trégua
Trégua na arte, sem nunca esperar.
Trégua no olhar, buscando agradar.
Trégua no espaço, você lá e eu cá.
Trégua de tempo, só sei aguardar.
E pensar,
E trabalhar,
E me esforçar
Tirar tudo de mim, de volta, do livro
Usar a mente, o coração, o tempo
Sabendo ter fé, lutando por mais fé
E viajando na esperança
Buscando o porto, o abrigo, a estrela,
A luz primordial, o amor, a paz.
(1993)


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V

Batalha
De onde vem essa praga, essa desgraça,
De que terras ela trouxe essa intempérie
De idéias, de sonhos e quimeras
De que mundo, doce mundo, veio o aroma da guerra?

Doce, denso, grave e tétrico
Carregado de boas intenções
Planejado, organizado, pensado.

Quem de nós a quis assim?
Quem de nós sonhou com isso?
Quem alimentou essa idéia
Como formas de pensar, como filhos para criar.

Dia de prova
Tormento geral
De tão absurda a situação.


VI
Presente

Você me pediu poesia, poesia?
O que é a poesia?
É a arte que se passa, se oferece, É o encanto pessoal,
É o sentir passado a limpo.

Você me pede beleza,
Mas junto ao meu texto vai toda a nuvem de sentimento,
Levando consigo parte de um Todo, que como se diz
Precisa expandir-se, dar-se a todos, compartilhar.

Aí vai minha poesia
Sem pretensões, intenções ou opiniões.
Como a luz que aparece e a noite chegada.
Como o sol perene e a chuva esporádica.
Seguindo um curso, percorrendo uma distância,
Levando, esperando, crendo.
(16/6/1994)

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VII

A Questão
Batemos num ponto, talvez escondido, ou só camuflado,
Grande demais para não ser notado
Pontudo, pontiagudo, ferindo, trazendo dor.

Não interessa, não queremos não!

Do que sinto falta?
Da empolgação, do clima de festa, do envolver todos com amor e paixão.
Brigando talvez com muita emoção, levando e querendo, empurrando em frente,
Exaurindo, esgotando as forças, as energias, o suor, o sangue.
Sentindo pulsar, vibrando o ser, vivendo, estimulando
O pensar, o refletir, o decidir, o destingüir.
Dando condições de seguir em frente, sabendo também
Que por mais que se faça e que se empenhe
Haverá travas e pontes rachadas, ressentimentos, valores perdidos, desesperanças, vazios,
Buraco sem apoio,
Solto, caindo, caindo, caindo...

( Em 4/4/1991, durante reunião na SME com as assistentes sociais Talita, Tânia, Silas etc )



VIII

Sentimentos
Separei alguns e fiz uma lista
Risquei os espinhosos, os filhos do nada.
Grifei os gostosos, os que sabem bem e nos levam ao céu.
Separei, listei, cerquei os afins, e...

Sentimentos o que são? O que levam? O que trazem?
Que coisa mórbida, voraz, que fogo, que mel, que espasmos lhes são comuns?
Onde estão os que como tudo na vida, rejeitados, expelidos, são escória?
Onde se escondem?
São como reservas de um time qualquer?
Aguardam,
e não dão idéia do quanto estão prontos,
ansiosos para entrar e destroçar o todo, a alma, o corpo, o ser.

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Ainda o "Sentir"

Gosto de saber e até dizer que senti tristeza, alegria, pesar.
Identificar o que me vai dentro, o que passa e que vai,
Voltando, quando se faz urgente, aquilo que um dia, por ter dor causado,
foi tornado pó e ao ar levado.
Não sei se as forças que não aparecem, e que se encarregam de dar fim a tudo, levaram prá lá, sumiram com a onda, sopraram, sopraram...
E que como o vento, que se autodestrói, fizeram cair
No abismo, no vácuo o que se sentiu e não se sente mais.

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IX
Viagem

Se a lua que veio nos ajudar no meio da estrada servindo de guia
Pudesse aclarar os mundos passados, e desengonçados de tanto sofrer,
Diria talvez da suave presença das sombras fugazes, e que, sem direção
Seguem-nos sempre, sem saber a razão.
Esperam, aguardam pacientes que mesmo no escuro e na contra mão,
Apareça um sentido, uma razão, um sinal de esperança, uma luz,
a reta decisiva para o alvorecer, onde então poderemos , sem mesmo querer,
almejar algo mais , alcançando então no mais puro prazer um grande deleite.
O desfrutar do puro raio de Amor do Universo.


X
O Filme
Da janela da existência vi correr célere o filme das vidas.
As lutas, as graças, os encontros e fugas.
Reclinada e serena, deixando passar, sorrindo e olhando, sem querer sair, levantar, participar...
Mas eis que a trilha nem sempre é perene, e as armadilhas a fizeram quebrar.
Fui então forçada a sair da janela, e correr, e acelerar, compensando as paradas,
os descansos, os cochilos, construindo assim o que era preciso.
Edificando a vida e o amanhã, justificando o ser que sou, agradecendo ao Criador.

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XI
Santa Teresa

Bairro do passado. Bairro beleza. Bairro poesia.
Ao som dos hippies redescoberto.
Onde ainda se vive natural.
Nome de santa, refúgio feminino, colo, aconchego.
Odor de doce de frutas, frutas-leite.
Alimenta os que retornam ao seio com esperanças de felicidade.
Santa Teresa sonhei com você.

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XII
Ao largo

Parece tão justo, tão lógico e racional
Passam verdades os seus argumentos.
E como ainda me engana! É como se eu nunca fosse aprender!
Ela explica, e, percebo a mentira, mas aparece logo a vontade de acreditar,
é bem mais fácil, não preciso pensar, decodificar...
Simplifico, aceito, acredito, descanso e torno sereno tudo em volta
Só posso dormir... repousa mente.... larga... abandona... vai...

(Num dia qualquer de 1989 quando a TV se tornou insuportável e eu dormi).


XIII
Festa Junina

Quando o fogo devora a lenha, ouve-se o crepitar, vêem-se as fagulhas, sente-se o calor.
E só quando tudo é carvão, ela serena, se esvai, restando as cinzas, parentes do fogo.

Me sinto queimar, ouço a vida a crepitar, envio raios, fagulhas...
Irradio, como qualquer ser vivente, calor, calor humano.
É energia a se doar, a se esvaziar para se tornar plena de novo...

Mas há diferenças: só eu ouço o estalar, só eu sinto o piscar da luz, só eu, só eu a sonhar...
O sonhar não se pode passar.

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XIV
?
Escrevo coisas loucas
Penso loucas
Sinto
Vejo
Quero
Gosto
Coisas loucas

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XV
Juninos
Mandei um balão ao céu e, caprichei no combustível.
Quero-o duradouro, firmando-se como mensageiro,
assumindo seu papel por inteiro.
Leva sonho, leva mensagem, leva desencantos.

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XVI
O Bobo
O Bobo queria e até conseguiu
Trazer seu rasgado e torpe desprezo.
Desceu a ladeira, subiu no meu conceito, revolucionou,
E nem se lixou, defecou.


XVII
Solário
Eu vi o repente daquele que mora na tela, e que sem emoção, nada de novo trouxe então.
Eu vi o sertão, e sem compaixão, desliguei o som, cortei a imagem.
Não vi solução!
Como reagir?
Não posso cair naquele jargão de salvar todos e não socorrer nenhum.
De me engajar e ao mesmo tempo me isolar, fingindo que entro mas sempre fugindo... fugindo... fugindo... sem direção,
perdendo a razão e tendo a certeza de estar na contramão.

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XVIII
Dias Variados
Se foram de luta, Marte nos tocou.
Se foram amores, Vênus se apresentou.
Se foram antigos, Saturno acordou.
E veio sem nada, trazendo de repente aquela atitude não adormecida, aquela atitude de sobrevivência, de chão, de lampejos,
(e aí entra Urano o intempestivo, o derrubador).
De não mais querer sofrer arremedos, ser pobre carneiro, infeliz peão, rastejando no chão,
Lambendo poeira de apagador, cheirando suores de quem trabalhou, sem sol, sem metal, sem luar, sem ...
A grande expansão e o crescimento de toda a nação, de todo o Universo,
se vê, não vem não, sem antes trazermos nos corações, soluções novas, imaginações, pinturas recentes com cores sem repetição.
Ensinos, palavras, memorizações, são coisas passadas, sentires de então, fingimentos coletivos de uma raça vã, que só com o coração poderá irradiar,
transmitir, aquecer, criar soluções.
(Rio, 8/7/1993)

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XIX
Além Paraíba

Terra do Além, Além do Rio, além daqui, vinte léguas além de mim, aquém de alguém.
Terras do além, além mar, além de nós, aquém de ninguém
Terras do além, você está lá e eu sei que está bem.
Terras do além, terras de ninguém, e por isso mesmo terra de todos, paraíso no Mundo.
Infinito procurado, transinfinito achado, terra, chão de nós, processo de pouso,
Descanso afinal, sossego das paixões, harmonia no mundo,
Repouso final.

XX
Envoltório
Pinta-se o gesso? Colore-se a morte.
Movimenta-se a máscara? Não! é ilusão!
São sombras que a tocam, e que vão e que vêem.
O Sol vai se pôr, a Luz não estará e a noite é sem sons...
Afogo-me no escuro, nem sei respirar.
É incrível! O ar é o mesmo! Mas como mudou! Está denso e pesa.
Eu quero nadar, mover os braços, afastá-lo como um lençol,
Tirá-lo de cima, de baixo, de volta de mim.
E ele está lá, ele está, está, tá...
(outubro de 1988)


XXI
Aprender
Se fui à escola e não aprendi
A lição sem gosto, sem razão de ser
O que mais sei, e nem me formei
Aprendi vivendo, levando arrastão,
Sendo carregada, jogada e largada
Tudo em turbilhão.


XXII
LIÇÃO
Eu sinto que algo se foi
Eu sinto que muito ficou
Eu sinto que tudo mudou
Eu sinto que aprendi Não sei para onde vou
Não sei se subo ou se ...
Não sei viver sem ...
Não sei e quero aprender Vou dizer do quanto senti
Vou dizer o que me encantou
Vou dizer da onda de vida
Vou dizer do mar serenado

Meu pranto, dor, desespero
Meu pranto, susto e horror
Meu pranto, medo e tristeza Me lembro da cor, do calor
Meu pranto sereno, mudou Me lembro do som, do grave
Me lembro do riso, da luz
Me lembro do sol, que alegria!

Eu peço perdão, mas eu quero de novo
Eu peço perdão por não perdoar
Eu peço perdão por não ser cigana
Eu peço perdão, perdão, perdão...
XXIII
Espera

Grávida
Filho esperado, crescendo e já sugando,
Tirando a seiva, nutrindo-se aguarda
O prazo é o mesmo para todas.
Algumas variações, expectativas, conclusões.
Um aguardar intenso, coberto, recoberto, aberto e desencadeado sem poder estacionar.
Etapas previstas, anseios lembrados, pensamento em roupa, agasalho, micróbios,
fraldas sujas, pediatra competente.
Conto de fadas? Sim. Histórias infantis? Por que não?.
Podemos narrá-las repetindo mecanicamente o que está nos livros, não percebendo sequer
Que o rei, as princesas e as bruxas
Estão conosco, convivem, habitam nossos lares.
Não são somente figuras desenhadas, criaram vida, expressão, movimento, forma e cor.
Fizeram crescer a maldade, intoxicaram nossa mente,
E, caladas convivem esperando a hora do bote.
Nosso filho? De que mundo virá? Quantos são esses mundos?
O que compõe sua carne além da parte que é minha?
Que semente foi essa que germinou em mim encontrando campo fértil e gerando... gerando.
Rosas? Lótus? Grama? Erva daninha?
Qual o ingrediente, o componente, o sal, o toque, o ar, o astro, o gen que contribuiu para?
Vence Ganha Perde
E a luta? A visão?
Se de tudo pensado e raciocinado vierem respostas que não dão sossego,
Buscarei a paz, a calma para o espírito
Num outro foco, em outra lição.
Os livros que tenho e que me trouxeram o pouco que sei.
São fracas imagens, são fugas do Ser.
Não hão de jamais me satisfazer.
Passaram e foram para o limbo, para o sebo.
Não entram na Alma não dizem o porquê.
Não mostram, não ensinam, não vivem.
São folhas pintadas, rabiscos do nada, escritos vazios.
O saber interno, vindo não sei de que,
É aquele sofrido, rasgado de trapo, sentido no centro de todo viver.
É o apaixonado, gosto de fruta madura, sem visgo, sem cica, sem verde amargor.
Ou então o desespero encantado.
A certeza da paz, do nada infinito, do som, do não fazer, o não ser.
Negado também, sentido apesar de buscado, esperado, sacrificado.
É todo saber de tudo nos dado, é todo sentir soprado em nós.
Passado como impulso, trazendo a fé e a certeza de que a semente.
Onde quer que caia, será tarde ou cedo.
Doce fruto, rama de sombra, néctar profuso, gerando mel.


XXIV 18/1/1994
Carretel
Se eu fosse um carretel e tivesse que dar linha, girando sobre mim mesma
Rolaria, e seria tão natural desenrolar...
Se me fixassem num pino, nada iria intervir no correr célere do fio
Arrematando e prendendo os feitios, os vestidos, os panos de cobrir.
E eu seria tão feliz, sem mesmo me controlar ou negar meu cordão.
Eu seria tão feliz...

Recuso-me a ver o que está ali, caminho numa intenção
De sentir o que me toca, de calar o que me vem
Como de um santo que não queima, não interfere e não altera
Como de um mestre que não diz
O que de tão difícil e sutil se supõe não existir.


XXV
Na Fazenda
Quero agora e amanhã, ter lampejos de ação, conservar um lápis a mão
E com vontade e sem hesitar, lançar no papel as emoções, as vivências, as atenções,
os carinhos, as alegrias, as fases curtas de nostalgia.


XXVI
A Poesia
Esta atitude tão sã e ao mesmo tempo tão vã, virá a ser no início um tímido sinal
De algo mais forte e escondido, há tanto recolhido e de existência nem lembrada
E por insistentes vezes negada
Mas que como toda semente tem vida perene,
como os grãos de trigo dos faraós
Que esperaram pacientes, seguros, para mostrar aos que duvidam
Que toda função pensada será um dia lançada na espiral da existência
E viverá seu potencial, seu esplendor, seu destino, sua meta, sua razão de ser.

XXVII
Hei de ir, levando os mesmos senões
As intenções tão almejadas e
Esquecidas, largadas, ignoradas
Hei de ir, sabendo que algo falta, falta entrega.
Hei de ir com o que tenho e nada mais.
Talvez pouca bagagem traga vantagens
Pouco peso, massa leve,
Hei de ir, não tenho como ficar
Todos vamos. 20/3/2005

XXVIII
Porque Poesia
Se de tudo criado, se quisesse um resultado
Não existiria a arte.
Muitas vezes sem quem a aprecie,
Ela se impõe
E permanece.
O “estar” diante dela,
É constante, perene e eterno
Está em tudo, em cada ser e em todo não ser.
O mundo está cheio, o palco é pequeno
Ao abrir os braços encontro você
Toco e me agrada, ou fujo, me afasto
Sigo atrás de outros palcos, onde um espaço maior
Sem irmãos por perto, me deixe feliz. 20/3/2005

XXIX
Sai o dia e entra a noite
Ou
Passa um e o outro vem estar.
Estar para depois ir
Separa-se e não olha para trás.
Não olha?
Estará na esquina, espreitando a volta?
Num mundo cíclico, ele volta, volta sim.
Como um bonde percorre o mesmo estilo e cores,
As mesmas saias e meias justas
Repete o texto, a cobrança, o parar e o andar
O ir com retorno garantido
Com o estar e o pretenso ficar
Mas ele se vai... 19/3/2005